Conheça a prática do naturismo no Amazonas e Pará

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Nada de nudes. Eles contemplam a natureza sem roupa. Uma forma de se conectar ao meio em que vivem

MANAUS - Naturismo é uma palavra de origem francesa, naturisme, que por sua vez é a filosofia baseada em um modo de vida conectado à natureza. Para difundir e desenvolver a cultura do naturismo no País, a Federação Brasileira de Naturismo (FBrN) surgiu em janeiro de 1988. Na Região Norte, apenas o Amazonas e Pará registram grupos oficiais para a prática do naturismo. Mas como será que os naturistas vivem na Amazônia? O Portal Amazônia conversou com os responsáveis do Grupo Amazônico União Naturista (Graúna-AM) e Sociedade Naturista do Pará (Sonapa).

Para começar é necessário separar as coisas. O naturismo não é apenas uma ferramenta de exposição do corpo, mas sim uma forma de mostrar o ser humano integral, sem fachadas e da forma como veio ao mundo. De acordo com um artigo escrito pelo presidente do Grupo Amazônico União Naturista (Graúna-AM), Jorge Bandeira, para quem não é um verdadeiro naturista a nudez continuará sendo um tabu. Ele explica que as pessoas não conseguem pensar em um corpo nu sem relacioná-lo ao prazer, ao pornográfico ou sexual.

A primeira reunião do Graúna-AM aconteceu no dia 25 de julho de 2003. Segundo Bandeira, a trajetória do naturismo no Amazonas é cautelosa e, por muitas vezes, lenta. "Os indígenas são os principais praticantes do naturalismo, mas foram obrigados a abandonarem os hábitos. A sociedade exige uma moral que não existe, elas ligam o naturismo a coisas totalmente erradas. Então, o nosso objetivo é combater esses preconceitos e mostrar que é possível viver em sintonia com a natureza", contou.

O Graúna surgiu após o fechamento do Amazonat Hotel de Selva, na época um dos únicos lugares exclusivos para o público naturista. A partir desse momento Jorge começou a procurar áreas especificas para a prática segura do naturismo. Ele utilizou os meios de comunicação para agregar novos adeptos, mas poucos contatos foram feitos. "Quem pratica o naturismo se desarma de todos os preconceitos e problemas da sociedade. É um momento que devemos usar para nos conhecer. Graças a Deus, conseguimos juntar um grupo que gosta de praticar o naturismo de forma saudável", garantiu Bandeira.

Os naturistas do Amazonas se reúnem em um sítio próximo ao KM 30 da AM-010. O local é cercado por árvores, com uma piscina natural e uma ampla área para as atividades do Graúna. "Nos encontramos para ficar em paz e principalmente para fugir da loucura da cidade. Ficamos mais sossegados, podemos cuidar mais do nosso corpo e alma, principalmente quando existe um lugar lindo ao nosso redor", afirmou Bandeira.

No Pará

Em Belém, os adeptos ao naturismo formaram a Sociedade Naturista do Pará (Sonapa). A atual presidente da sociedade, Ana Augusta, contou que o crescimento do naturismo na Amazônia é lento, mas ao mesmo tempo muitos têm curiosidade de conhecer a forma de vida naturista. "Aqui em Belém ainda não crescemos tanto como no Amazonas, existe uma rotatividade muito grande. Algumas pessoas conhecem, participam de uma ou duas reuniões, mas acabam desistindo. É uma prática de paciência", disse.

A Sonapa conta atualmente com a participação de quase 20 pessoas. Eles se reúnem em um sítio no município de Santa Izabel (distante a 47 quilômetros de Belém). De acordo com Ana, estar nua é vestir um manto de luz "Gostamos de nos reunir em lugares abertos, cercados pela floresta. Muitas pessoas tem uma visão errada do naturismo, mas quando estamos juntos queremos contemplar a natureza e viver em harmonia com todos os elementos. Fazemos ações, como limpar e coletar lixo da mata", contou.

Na opinião de Ana, o principal preconceito vem da própria vergonha das pessoas. "Eu gosto de explicar para todo mundo sobre o que o naturismo realmente significa, mas é muito difícil. Principalmente quando a pessoa não está feliz com o próprio corpo, esse é um dos principais obstáculos quando se trata de conseguir novos membros para a Sonapa. É necessário trabalhar essa vergonha, porque o naturismo não é exibicionismo. A sociedade cria uma concepção completamente diferente", revelou.

Encontrando um espaço

Diferente dos Estados do Rio de Janeiro, Bahia, São Paulo, Paraíba e Santa Catarina que possuem praias exclusivas para os naturistas, Amazonas e Belém ainda lutam para firmar um espaço para os praticantes do naturismo. "Estou desenvolvendo um projeto para enviar ao Governo do Pará, temos até uma sugestão de praia, mas nada confirmado ainda", contou Ana. Para Bandeira, criar um espaço público voltado para os naturistas é arriscado. "A gente sabe que existem aquelas pessoas que só vão para fazer baderna, isso foge completamento do nosso objetivo. Preferimos nossas reuniões restritas, onde sabemos quem está na mesma sintonia que a nossa", comentou.

Os interessados em integrar o Graúna-AM ou a Sonapa podem buscar mais informações nos sites das organizações. "As pessoas podem entrar em contato conosco e fazemos uma entrevista para saber se estão aptos ou não. É valido lembrar que o naturismo possui severas regras e qualquer um que desrespeita-las serão punidos", avisou Bandeira.

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