O Naturismo e o seu pior inimigo
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Tem inimigos que nos parecem soluções, mas no fundo não é bem isso.

Não se desconhecem os gigantescos percalços que o naturismo enfrenta. A começar pela sua exageradíssima associação da nudez com o desejo sexual. Problemas como a curiosidade não naturista, a invasão de pessoas vestidas, os arroubos constitucionais de invasores vestidos em áreas naturistas, a invasão masculina, o inchaço homossexual, a vaidade feminina, a atração de swingers, a ignorância de dirigentes, o desconhecimento da filosofia, a exploração comercial, os espertalhões, os interesseiros, a ânsia de poder de frequentadores e dirigentes, a ausência de bom senso de frequentadores e dirigentes, consciência com a limpesa das praias, etc., são insignificantes perto de outro problema muito maior, que dele está decorrendo a extinção paulatina da filosofia, pelo menos na sua forma concebida originalmente.

Trata-se do interesse midiático no naturismo. A MÍDIA mundial tem sido um grande desastre para a nudez.

É certo que a nudez tem sido mal interpretada desde a Idade Média, em face da dominação do Cristianismo pela Igreja Católica, ocorrida no Século III, D.C., e o sua ascensão sobre o Império Romano do Ocidente, a partir do Século V. Época em que o corpo humano, sobretudo o da mulher, virou símbolo do desejo sexual, amaldiçoado, excomungado e demonizado como elemento da degradação humana, fazendo com que as roupas fossem elevadas ao posto de elemento único da moralidade do homem.

O enraizamento dessa propriedade comportamental extrapolou a Idade Média, dominou o renascentismo, se apropriou do iluminismo, foi incorporada pela ciência, assolou a modernidade e degenera o pós-modernismo ou contemporaneidade.

A partir de então o padrão comportamental humano se redundou no formato de vestir, tirando do ser humano a sua capacidade de pensar e de agir, moldadas estas ações em uma monocultura do valor material exacerbado, em detrimento do valor intelectual.

A mídia veio nessa avalanche de insanidade, onde a moda virou o grande ditador do desejo das pessoas, trazendo como resultado o estabelecimento do corpo humano como instrumento do desejo sexual e da indignidade moral do homem.

A moda reafirmou, e tornou natural, o grande pecado da humanidade e provocador de toda a desgraça humana desde a sua criação: a vaidade. Consagrando com isso que a “elegância”, a partir disso, seria a qualidade das roupas usadas e não as atitudes envergadas pelo ser humano.

Nessa brecha introduz-se o capitalismo selvagem, onde, ditado pela moda têxtil, passou a financiar os meios midiáticos, que se viram dependentes dos recursos oriundos dos segmentos ligados à vaidade humana, traduzidos nas grandes indústrias fabris, de cosméticos e de drogas ligadas à beleza.

Sacramentada a morte da nudez, foi-se na sua esteira a probabilidade da inocência e da pureza no comportamento, que, como uma bola de neve, atingiu todos os demais aspectos da ética humana.

O naturismo, surgido na Alemanha e adjacências, lá pelos idos dos anos 20 do século passado, seria uma luz para a reviravolta dessa situação de malícia e maledicência, que se agravava a cada dia no seio da sociedade, teve como grande percalço o falso conservadorismo de segmentos sociais da elite capitalista, que associava (e continua associando) a nudez à degeneração sexual e o sexo como o grande problema da humanidade.

A mídia, que exercia grande poder de formação de opinião, deveria ser o veículo de conscientização popular sobre os equívocos desse erro das classes dominantes ligadas religiosidade (pois nem mesmo a Bíblia Sagrada comunga com esse ódio ao sexo e ao corpo humano), viu-se acovardada pela sua dependência aos segmentos modistas. Circunstância que perdura até os dias de hoje.

Ao se incorporar ao estafe modista a própria mídia criou o padrão de beleza que virou mote comercial, tendo como objeto os predicados do corpo feminino. A exploração da nudez feminina começou a virar pacote de marketing , muito bem explorado pelo mundo capitalista da moda, o que veio a recrudescer o ódio conservador à nudez.

Além disso, essa característica de exploração do corpo da mulher virou o grande empecilho para adesão feminina ao naturismo, pois as mulheres absorveram esse critério de exposição do seu corpo como, além da definição da sua indignidade, a obrigatoriedade de atendimento ao padrão de beleza midiaticamente posto, somado ao grande objeto de desejo que se tornou para o segmento masculino, exatamente estimulado pela publicidade da mídia.

Dessa forma a mídia conservou a sua preocupação com o mundo financeiro, introduzindo uma ojeriza à nudez, a qual trata com expressões jocosas, com pilhérias, piadas e profundo desprezo, como se andar nu fosse coisa de degenerados, deturpados, depravados, impudicos e imorais.

Chegamos ao ponto de, hoje, em face dessa conotação de obscenidade e excentricidade dada à nudez pela mídia, a ética, o caráter e a honestidade perderem peso na avaliação da moralidade, mas tão somente o ato de andar nu ser inescrupulosamente imoral.

O naturismo, desconhecendo o significado do poder maligno, começou, a partir da década passada, a dar muito espaço para a mídia divulgar o naturismo. Ora, o mesmo poder que ela tem de divulgar, enaltecer e levantar, ela tem de destruir. Como imaginar alguém que tem de prestar conta a grupos de patrocinadores e de falsos conservadores (assim considerados aqueles que vivem de orgias sexuais, mas posam de moralizadores nessa área), em busca de audiência, ser capaz de fazer imagens positivas da nudez?

Foi o nosso desastre. Inserções do naturismo em programas como Pânico, CQC, Amor e Sexo, Fátima Bernardes, Luciana Gimenes, Ratinho, etc. foram um desastre para o naturismo. Fomos tratados como malucos, imbecis, desajustados, pervertidos e sem noção. A prova disso é que, a filosofia que vinha crescendo o número de adeptos em 30% ao ano, no final dos anos 90, experimenta hoje uma decadência horrorosa, principiando uma falência quase que irreversível.

O início dos anos 2000, na mesma rota da política nacional, iniciou um novo período ideológico que atingiu profundamente o seio das associações naturistas, assim como os veículos de comunicação. Nessa leva, as ideias que estavam levantando a bandeira naturista passaram a ser consideradas retrógradas.

Novos dirigentes entraram na onda de avanços e começaram a considerar a massificação do naturismo como uma nova estratégia marqueteira, que envolvia a mídia corrompida com os novos modelos comportamentais do novo estafe dominante no país.

Quando os repórteres do Pânico chegaram à portaria de Tambaba para fazer uma matéria, o Presidente da FBrN, não época o Sr. José Antônio, estava sentado ao lado do Presidente da ANDENU, autora do presente artigo, e este o aconselhou-o a não permitir a entrada, pois já antecipava o conteúdo desastroso que seria para o Naturismo. Não foi ouvido e o que vimos posteriormente foi o maior estrago já praticado na imagem do naturismo em todos os tempos.

A nova ideologia incorporada pelos novos dirigentes do naturismo, todos caminhando para essa forma equivocada de administrar o naturismo, tem nos levado à ruína da filosofia. A mídia continua sendo a desgraça da nudez. Só nos últimos tempos tem-se visto inúmeros quadros em programas humorísticos falando de passagens em praias de “nudismo”, com piadas desmoralizantes, sem graça e sem fundamentos. Comentaristas de grandes jornais não escapam uma risadinha marota quando noticiam alguma assunto sobre nudez.

Portanto, não se concebe que os nossos dirigentes sejam tão fascinados por essas divulgações, quando se percebe claramente que o desejo midiático é ridicularizar a nudez e consequentemente o naturismo.

Há de se tomar uma nova postura sobre o assunto, caso contrário o que veremos é a derrocada final da prática naturista em todo o País, inclusive substituindo os espaços atuais por práticas de orgias libertinas alheias à filosofia.

Por favor, parem de ACHINCALHAR um modelo de vida que pode salvar a humanidade, porque tem no seu bojo a implantação de um mundo PURO, SÉRIO E HONESTO para toda a população mundial. Por isso, esperamos uma nova consciência dos dirigentes e participantes dessa filosofia redentora, eliminando de vez TV’s, Jornais e blogs mal intencionados de nossas áreas mais preciosas.

ANDENU – Associação Nacional de Defesa do Naturismo.

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