Selo de Qualidade Naturista

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Muitos de nós já há longos anos praticamos o Naturismo e frequentamos uma ou mais áreas naturistas. Cultivamos um bom círculo de amigos e vivenciamos a nudez com desenvoltura e gosto. Somos naturistas.

Somos naturistas?!

É o gosto pela nudez que nos caracteriza como naturistas? Não, ele apenas demonstra nosso apreço ao nudismo. As amizades? Ambos? Ser naturista vai bastante além disto. Implica em estar no mundo de forma mais consciente e natural. Despir mais do que o corpo: paulatinamente, despir também a mente, libertando-a de desejos e necessidades artificiais e abandonando preconceitos, julgamentos e valores segregacionistas.

Um naturista questiona o que consome e porque o faz. Está atento e, por isto, mais consciente do que é desnecessário ou supérfluo, das demandas puramente consumistas, que geram mais lixo e o dispêndio de matérias primas não renováveis. É de consenso geral que quem ama, cuida. Como amar a natureza, sem cultivar um olhar diligente e capaz de detectar as necessidades do meio? Sem preservar as matas nativas e ciliares e as nascentes dos rios, sem repensar e modificar hábitos incompatíveis com a limpeza, com a redução do lixo produzido e com o consumo de água e de energias não renováveis?

Como ser naturista sem facultar o bom relacionamento, a honestidade nos objetivos propostos, sem desenvolver cuidados comunitários, sem promover a harmonia e o crescimento, sem ter olhos para o bem comum? Como ser naturista sem ser verdadeiramente humano?

Talvez o nosso “olhar o mundo” esteja prejudicado pela incapacidade de voltarmos o olhar para o nosso interior, onde um mundo mais próximo e pessoal igualmente carece de cuidados e atenção e de um repensar atitudes, sentimentos cultivados e valores incompatíveis com o respeito a si mesmo e ao outro, que o naturismo preconiza.

Se não há amor e respeito por si, não haverá pelo outro e, menos ainda, pela natureza. Sem respeito, limites e fronteiras são facilmente desconsiderados. Sem amor, preservar, dar sustentabilidade, cultivar, ouvir e acolher são conceitos de pouca valia.

Assim, a primeira relação naturista, onde devemos estar completamente despidos de máscaras, vaidades, vergonhas, medos e engodos, onde devemos desenvolver a aceitação, o respeito e o amor é a relação pessoal, aquela em que nos tomamos pelas mãos e nos damos apoio e força para os passos que virão, para as lutas que enfrentaremos, para as escolhas e decisões que iremos tomar, para os caminhos que optaremos seguir.

Acostumados a esta nudez pessoal primária, sustentada no amor e no respeito, facilmente a estenderemos para o convívio social, onde poderemos embasar nosso “ser naturista” em relação nos mesmos princípios em que o instituímos dentro de nós.

É a este SER NATURISTA consistente, consciente de seus valores intrínsecos, que talvez esteja dentro de nós ainda em estado embrionário, que fazemos um chamado à vida e ao pleno exercício de suas potencialidades, só assim poderemos atuar de forma positiva e transformadora nos meios em que estamos inseridos.

Que nossa nudez seja o símbolo da simplicidade e da transparência com que construímos nossas relações; que o respeito a nós mesmos seja o balizador do respeito dedicado ao outro e à natureza; que o nosso convívio social estimule a amizade e a fraternidade e que nossa presença no mundo, onde quer que estejamos, seja compatível com o selo de qualidade que o SER NATURISTA nos confere.

Cândida Furtado

www.comunidadesnaturistas.com

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