O TÉDIO E O NATURISMO

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Esse é um assunto de muita importância, principalmente fazendo referência ao Naturismo. O tédio é um fenômeno muito significativo, só o homem sente tédio, nenhum outro animal. A causa é a consciência e o tédio é uma indicação de sensibilidade.

“Se os macacos chegassem a experimentar tédio, poderiam tornar-se gente.” (Johann Goethe – Escritor, Cientista e Filósofo Alemão)

De um lado os animais não se entediam por falta de uma consciência, de outro os Budas também não se entediam por causa de uma grande sensibilidade. Portanto, o tédio é um fenômeno entre o animal e o Buda. Interessante perceber que são os intelectuais que mais se entediam. Porque pensam muito e logo percebem quando algo é mera repetição.

Foi publicado na Revista Época: “o número de naturistas cai na Europa, onde tirar a roupa deixou de ser uma transgressão social”. Exatamente por não representar uma transgressão que as pessoas não veem necessidade de formação de grupos para reunirem em lugares escondidos, a nudez é natural. O pior foi o título da matéria “Perdeu a graça”, não entendi, tinha alguma coisa engraçada? http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI255103-15228,00-PERDEU+A+GRACA.html. Novamente repórteres despreparados para falar qualquer coisa sobre o assunto distorcem o verdadeiro sentido do que o Naturismo defende, coloca a nudez como causadora de tédio, como se estivessem cansados de estar nus.

Numa conversa que tive com Paulo Pereira, que é biólogo, professor, escritor e naturista de longas datas, me diz que não é a nudez que causa o tédio, biologicamente isso é impossível, a não ser para pessoas que não possuem conhecimento acerca do Naturismo e faz do estilo de vida um pretexto, como uma fuga. O tédio é um sintoma psicológico e deve ser tratado por meio da meditação e desenvolvimento da criatividade. A nudez é simplesmente uma expressão corporal no mundo.

Em algum lugar na internet vi uma entrevista que tinha a pergunta se o Naturismo o tinha ajudado em algo e a resposta foi “não”. Então esse indivíduo não foi capaz de entender a filosofia naturista. Não percebeu que o Naturismo é um meio de tornar as pessoas melhores. Sem as máscaras buscamos a essência, chega a ser um processo da meditação, porque ao se esconder dos outros também nos escondemos de nós mesmos, não irá aparecer os nossos defeitos mas também não irá emergir os tesouros do nosso ser. Agora, se o indivíduo se acha entediado e quer fazer do Naturismo um pretexto para ficar olhando para as pessoas nuas ou para marcar programas, está perdendo um tempo precioso para se autoconhecer, está escolhendo o lado animal que não tem a consciência de si mesmo. O animal come a mesma grama todo dia e não fica entediado, também não tem consciência alguma do mundo que o cerca e nem de si. Não é diferente disso.

E porque os Budas não se entediam? O Filósofo Eráclito já dizia que era impossível pisar no mesmo rio duas vezes. As pessoas que têm a percepção de que tudo muda constantemente, vê a vida mais rica. A árvore que você viu ontem já não é mais a mesma de hoje; A esposa ou marido de manhã não são mais os mesmos à noite. Como ficar entediado diante de tanta variedade que a natureza nos proporciona?

“Sabe qual é a minha preocupação maior? É matar o tédio. Quem prestasse este serviço à humanidade seria o verdadeiro destruidor de monstros.” (Eugène Fomentin)

Por intermédio do Naturismo a pessoa pode olhar para dentro de si mesma e observar o seu corpo integrado com toda a natureza. Único e Divino, como tudo o que se manifesta ao nosso redor. Isso é meditação, o reconhecimento da nossa igualdade diante de todas as coisas em constante mutações.

O mais renomado cientista brasileiro da atualidade, Miguel Nicolelis, professor da Universidade Duke e pesquisador de renome mundial em neuroengenharia diz que “tudo é ilusório, se o cérebro fosse diferente você ia ver o mundo diferente”. Diz ainda que o “nosso cérebro vai ter um papel cada vez mais relevante na ampliação do nosso alcance como espécie. O nosso corpo vai perder relevância”. (Revista Planeta – edição 467).

Naturismo acima de tudo é mental. Muito apropriado o título do próximo livro de Paulo Pereira, “Sem Pedir Julgamentos”, porque assim é a natureza, ela mostra a sua riqueza e não julga, mas nós escolhemos como queremos ver o mundo em que vivemos, numa perspectiva animal ou como um Buda, sem tédio.

Evandro Telles

http://www.evandrotelles.blogspot.com/

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